11 de dezembro de 2013

Análise SWOT

Passados mais de dois anos da assinatura do memorando de entendimento e a alguns meses do final da terceiro programa de ajustamento, é mais que oportuno fazer um ponto de situação de que fizemos até agora e do que ainda há por fazer.

Quando estamos confortavelmente à frente do campeonato, por norma não nos preocupamos muito em questionar as decisões dos treinadores, pois uma margem de 7 ou 8 pontos em relação ao segundo classificado quase que tornam admissíveis quaisquer erros por parte dos treinadores, por mais estúpidos que sejam. O que é perfeitamente razoável uma vez que a escassa perspetiva de uma descida para o segundo lugar é de tal modo pequena que, sem darmos por isso, fechamos os olhos às idiotices dos treinadores. Contudo, se a duas jornadas do fim a diferença para o segundo lugar já só é de um ponto, até a porcaria do nó da gravata do treinador serve de pretexto para lhe chamar uns bons e merecidos nomes.

Isto acontece porque no final, para nós, já é visível o quanto cada decisão pode levar ou não a ganhar o troféu. Infelizmente, para nós, à três anos para cá que cada decisão política se assemelha à de um treinador nas últimas jornadas. E, parece-me, o fim de mais um temporada está à porta.

Procurando não ser muito exaustivo, vou tentar explorar algumas das variáveis endógenas e exógenas ao desempenho português que podem determinar o sucesso do programa de ajustamento e que podem influenciar e muito as nossas vidas daqui para a frente, bem como as apreciações crítcas mais ou menos agradáveis que se farão aos políticos.

Vamos assumir que o troféu é a saída com sucesso do programa de ajustamento. E vamos olhar para questão como qualquer treinador coerente olharia a poucas jornadas do fim: fazendo uma análise SWOT.

FORÇAS

Como bom português que sou, devo confessar que as principais forças que nos poderão levar a ganhar o troféu, têm se vindo a apresentar, em parte, como surpresas. Agradáveis, diga-se de passagem.

1) Recuperação Económica, ainda que franzina e débil. Comparativamente os trimestres anteriores o PIB registou um aumento de 1,1% no 2º de trimestre de 2013 e de 0,2% no 3º trimestre. O que confirma, como podem ver abaixo, a inversão do ciclo económico.


2) Rápido Ajustamento do Setor Privado, que é bem visível com base na descida das importações no último semestre de 2012 e no primeiro trimestre de 2013, que, a par com as reformas estruturais, se acabou por refletir nas exportações, com os empresários a terem de se virar para os mercados externos, devido à contração da procura interna.


3) Responsabilidade Cívica dos Portugueses, reconhecida internacionalmente e prestigiante para a democracia portuguesa


FRAQUEZAS

Contudo, variados são os fatores que poderão puxar país, nos piores dos cenários, para um segundo resgate.

1) Credibilidade Debilitada pela Crise Política, resultante pelos de pedidos de demissão, em agosto, de Vítor Gaspar e Paulo Portas, que vieram alterar a trajetória dos juros da dívida pública e que consecutivamente aumentaram a perceção e risco da dívida pública, que continua incorporada ainda nas taxas de juro.



2) Falta de Consenso Político, que continua a afetar a perceção do comprometimento dos partidos do arco da governação com os objetivos de consolidação orçamental após o programa de assistência e, em particular, a partir das próximas eleições.

3) Execução Orçamental, que pode por em causa o cumprimento da meta do défice.

OPORTUNIDADES

1) Saída do Programa de Ajustamento da Irlanda, que poderá vir alterar a perceção dos investidores quanto à capacidade das autoridades europeias responderem à crise das dívidas soberanas.

AMEAÇAS

1) Potênciais Chumbos do Tribunal Constitucional, que podem por em causa os objetivos do governo e forçar a implementação de medidas compensatórias menos adequadas.


2) Retirada de Estímulos da Reserva Federal e do BCE, que ao diminuir a liquidez podem por em causa a propensão dos investidores para comprar dívida pública.



Muitos outros fatores, uns mais outros menos relevantes, poderiam ser tidos aqui em consideração. Mas o ponto é: o sucesso da saída do programa de ajustamento não depende uni e exclusivamente do governo nem dos portugueses ou do Tribunal Constitucional.

Cabe-no jogar jogo a jogo, concentrar-mo-nos em ganhar os próximos e não esperar grandes surpresas dos outros lados.

Em último caso, estamos na União Europeia.


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