21 de janeiro de 2014

Falta de Educação

A polémica gerada pela proposta, por parte da JSD, da realização de um referendo relativamente à possibilidade de co-adopção por casais homossexuais apagou, em grande parte, a discussão referente à escolaridade obrigatória, que a JP afirmou pretender encurtar. Desejo retomar tal debate, não pelo gosto da altercação, mas por acreditar que a educação é um tema que deve estar sempre presente no horizonte de qualquer comunidade política.
Qualquer sociedade ou arranjo social, por mais simples que seja, integra, necessariamente, mecanismos de transmissão de língua, costumes, saberes e outros elementos culturais. Da mesma forma, também hoje é observável, entre a maioria dos povos, a adopção do dispositivo de instrução e educação a que nos referimos como escolaridade.
A transmissão realizada por essa instituição enfoca-se, maioritariamente na manutenção e reprodução dos modelos político, económico e social vigentes bem como das relações de poder nas quais estes assentam.
Ao longo do seu percurso escolar o aluno é introduzido a uma lógica social construída segundo valores de dominação e coerção: o autoritarismo do professor; a disciplina militar; a uniformização dos ritmos e saberes; os castigos e humilhações.

Devido a uma prolongada exposição a estes mecanismos disciplinares do sistema educativo (análogos aos da fábrica, prisão ou quartel), o jovem saído da escolaridade obrigatória está preparado para se submeter ao capitalismo, à democracia representativa, à sociedade de consumo-espetáculo e a uma pluralidade de micro-fascismos e relações assimétricas com as quais se deparará ao longo da vida. Fabricam-se, assim, cidadãos submissos, trabalhadores acríticos, expectadores passivos.

Rui Coelho
Licenciado em Ciência Política pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas


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