Nós, as pessoas, temo-nos concentrado e empenhado para mudar o Natal e, através dessa mudança, para o destruir. A partir de Dezembro, a quantidade de luzes que Lisboa tem a iluminar as suas ruas torna-se assunto mais sério que a quantidade de desempregados que existem no país, os saldos dos grandes centros comerciais tornam-se mais sérios do que as pessoas que morrem nas nossas estradas em busca dos seus, e as crianças passam a nutrir um amor mais forte pelas prendas que o Pai Natal vai trazer do que por aqueles que as amam.
Triste Natal. Momento em que toda a família se junta para não parecer mal, e em que todos se esforçam para comprar o presente que faça com que o maior sorriso do mais novo seja para nós. Triste é o Natal em que se compram sorrisos...
Mas por saber que vou ouvir mais uma historia das antigas, eu gosto do Natal. Por saber que vou fazer cocegas às mais novas e elas vão rir e pedir-me um abraço, e por saber que o meu avô vai voltar a resmungar por só estarem a dar "bonecos" na televisão. Gosto do Natal porque gosto deles, e porque eles gostam de mim, e porque vamos estar juntos.
O Natal é mesmo quando um homem quiser. Somos nós, pessoas, que não o queremos mais vezes, porque não conhecemos o verdadeiro Natal, e porque o que conhecemos, é muito caro.
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